O presidente português destaca o papel dos militares em 25 de abril | Mundo

O presidente de Portugal, o conservador Marcelo Rebelo de Sousa, destacou hoje o trabalho atual das Forças Armadas para garantir a paz e o papel que tiveram no dia 25 de abril pela liberdade, no meio de um debate sobre as condecorações que vai atribuir aos soldados da Revolução.

“Não importa o que você pensa sobre o que eles eram antes e depois daquele gesto, aquele momento (25 de abril) foi exemplar e decisivo”, disse ele durante seu discurso na sessão comemorativa do 48º aniversário da Revolução dos Cravos realizada no Parlamento.

O Chefe de Estado aludiu assim à polémica gerada em torno das condecorações que vai atribuir, entre agora e os 50 anos da Revolução, a milhares de militares e civis, incluindo o general António de Spínola (1910-1996), que levantou controvérsia especial dentro da esquerda.

Spínola foi o primeiro presidente de Portugal após a Revolução e depois o líder de uma organização de extrema-direita ligada a ataques e que tentou um golpe.

Esta segunda-feira, o presidente português foi claro: defendeu que, para além do que fizeram antes e depois de 25 de abril, “o seu gesto na escrita ou reescrita da história” de Portugal não pode ser esquecido.

Mais cedo, o Presidente da Assembleia da República, o socialista Augusto Santos Silva, já tinha agradecido aos capitães de Abril no seu discurso, por “iniciar o movimento que permitiu a Portugal construir uma democracia onde todos os portugueses têm lugar, independentemente do local de nascimento ou residência “.

Mais tensa foi a intervenção do líder do partido de extrema-direita Chega, André Ventura, que pediu a Rebelo de Sousa que não homenageasse “aqueles que torturaram, mataram e expropriaram”.

MAIS MÍDIA PARA O FFAA

O presidente português quis destacar o papel das Forças Armadas não só na Revolução mas no presente e no futuro, e salientou que deve haver um “consenso nacional” para as defender porque sem elas “a paz é mais fraca”.

“Em tempos de guerra na Europa, falar das Forças Armadas é também falar de futuro”, disse o presidente, que também se referiu ao seu papel nas ações de proteção civil, combate a incêndios ou mesmo durante a pandemia, quando coordenaram a vacinação.

Por isso, as Forças Armadas devem ter “condições para serem ainda mais fortes e unidas”. “Não poderemos reclamar se um dia descobrirmos que estamos exigindo das nossas Forças Armadas missões que elas não podem cumprir por falta de recursos”, disse.

A Assembleia da República recuperou este ano as comemorações do 25 de abril sem restrições, após dois anos de pandemia em que limites de lotação e máscaras se juntaram a cravos.

Desta vez, as máscaras quase não estiveram presentes na Câmara -já que na sexta-feira passada não são obrigatórias dentro de casa-, com uma exceção entre as autoridades: o primeiro-ministro, António Costa, decidiu mantê-la.

As comemorações também tiveram espaço para a memória do ex-presidente Jorge Sampaio, falecido em setembro de 2021 e de quem os deputados lembraram com aplausos.

No final da sessão, vários dos convidados presentes nas galerias cantaram “Grândola, Vila Morena”, o hino da Revolução, ao qual se juntou parte dos deputados do hemiciclo.

Calvin Clayton

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