Quase 40% da população evita as notícias porque “deterioram” o humor

Londres, 15 de junho Boa parte da população mundial – 38% – evita frequentemente consumir notícias atuais como as relacionadas com a guerra na Ucrânia ou a pandemia porque “deterioram” o seu humor, segundo um relatório divulgado esta quarta-feira pela Reuters Institute, que revela que os mais jovens preferem plataformas como o TikTok.

O estudo sobre consumo de notícias Digital News Report 2022, apresentado hoje na sede londrina da agência de notícias britânica, é baseado em uma pesquisa online com 93.000 pessoas em 46 mercados, incluindo Espanha, Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México, Peru e Portugal.

De maneira geral, a análise revela que quase 4 em cada 10 pessoas – 38% do público – se distanciam ou evitam seletivamente notícias importantes, ante 29% em 2017. O número dobrou no Brasil – de 27% para 54 %- e no Reino Unido -de 24% para 46%-.

A porcentagem detectada na Espanha -35%- aumentou em comparação com os 33% identificados em 2019 e os 26% da pesquisa de 2017.

Uma alta porcentagem daqueles que evitam as notícias de propósito explicam que a repetição da agenda noticiosa, especialmente sobre questões políticas e a pandemia, os desencoraja -43%.

Cerca de 36% – especialmente os com menos de 35 anos – dizem que a notícia desanima e 17% indica que gera discussões que prefeririam evitar, enquanto 16% admitem que criam um sentimento de desamparo.

O autor do relatório, Nic Newman, salientou hoje que “em vários países vemos uma parte significativa da tendência das pessoas a ignorar as notícias ou a selecionar certas histórias porque as coloca de mau humor” e observou que “a confiança (em meios) está diminuindo na maioria dos países”.

DIMINUI A CONFIANÇA E O INTERESSE NA INFORMAÇÃO

Os resultados revelam que, em geral, também houve uma queda na confiança e uma diminuição no interesse pelas notícias.

Em média, 42% confiam na maioria das notícias na maior parte do tempo, enquanto a Finlândia continua sendo o país com os níveis mais altos de confiança geral -69%- e os Estados Unidos têm o menor -26%. juntamente com a Eslováquia.

Além disso, fica claro que o público mais jovem tem menos conexão com a mídia tradicional e acessa conteúdos informativos por meio de plataformas como o TikTok.

“O TikTok está crescendo extremamente rápido e ganhou muita atenção após o conflito na Ucrânia”, observou Newman.

Sobre isso, ele destacou que “40% do mundo com menos de 25 anos usam o TikTok para todos os fins, 15% para ver as notícias”; enquanto houve “uma recuperação de pessoas de todas as idades na África e na América Latina, onde o uso dessa rede social cresceu mais rapidamente”.

A análise aborda a dificuldade em atrair jovens para o mundo das notícias e mostra que oito em cada dez -78%- pessoas entre 18 e 24 anos -ou “nativos sociais”- acessam semanalmente as notícias por portas alternativas, como busca motores e redes sociais, em vez de aplicativos de mídia ou sites.

Esses “nativos sociais” desviam a atenção do Facebook e optam por redes visuais como Instagram e Tiktok, onde prevalecem o entretenimento e os “influenciadores”. EFE

prc/er/pi

Calvin Clayton

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