Fernando Valenzuela e a transformação educacional: “Há muito do mundo do entretenimento que deve ser trazido para a educação”

Fernando Valenzuela na sala do Ticmas

(Entrega especial)

A quinta edição do Congresso Tesol da Colômbia Começou com uma força inusitada que só podia ser prevista nas fantasias mais otimistas dos organizadores. Pela sua proposta e pela qualidade dos participantes, Tesol é o congresso dedicado ao ensino de inglês mais importante da América Latina.

Entre os dias 18 e 20 de agosto, grandes referências e especialistas em educação se reúnem no Faculdade de Savannah, em Chía, para compartilhar experiências e submeter hipóteses e projetos à opinião de seus pares. Entre os convidados mais destacados do primeiro dia podemos citar Ken Beattyum grande educador americano da Universidade de Anaheim (Califórnia) e o mexicano Fernando Valenzuela Migoyaque foi reconhecido como uma das cem personalidades mais influentes em EdTech No mundo todo.

A experiência educativa tiques, com alcance em toda a região, participa do congresso de duas formas. Primeiro, é apresentado um estande especial onde professores, professores e diretores podem conhecer um modelo educacional inovador como o Aprendizagem baseada em projetos (ABP ou PBL por sua sigla em inglês). Mas, além disso, em uma sala muito charmosa que fica na ante-sala do auditório, todos os convidados participam de uma entrevista mais intimista. Fernando Valenzuela Migoya passou por aquela sala ontem.

Fernando Valenzuela Migoya e Ken Beatty
Fernando Valenzuela Migoya e Ken Beatty

“Acompanhei todas as versões do evento; incluindo os Estados Unidos”, disse ela. “Aprender a língua inglesa na América Latina é essencial porque transforma vidas. Tradicionalmente, professores e escolas não incorporam a inovação tecnológica ao ensino de inglês na mesma proporção que em outras áreas do conhecimento. Este congresso significa uma oportunidade para capacitar milhões de meninas e meninos na América Latina. A única maneira de fazer isso nessa escala é através da tecnologia.

Você tem uma longa história em transformação educacional, inovação e qualidade. Que experiências você pode nos contar sobre professores e instituições em inglês?

—Tenho a sorte de acompanhar um grande número de empreendimentos e iniciativas que estão transformando a forma de educar e, em relação ao inglês, a principal transformação é que agora temos que ensinar qualquer disciplina nesse idioma. 90% das pesquisas científicas e tecnológicas ocorrem em inglês. O desafio é usar a tecnologia para se conectar com outras pessoas.

A maior inovação não vem de uma tecnologia, mas de novas formas de colaboração

Para que a tecnologia seja um elemento inovador na educação, ela precisa apontar para a metodologia de Aprendizagem Baseada em Projetos?

—Tenho certeza de que a melhor forma de aprender é gerenciando projetos vinculados à realidade de cada comunidade. A maior inovação não vem de uma tecnologia, mas de novas formas de colaboração. Se criamos ambientes de projetos colaborativos que nos obrigam a pensar em problemas próximos e nos deixam animados para resolvê-los, essa é a nova pedagogia. O ensino de inglês, assim como o ensino de digitalização e programação de computadores, acabarão sendo linguagens para se conectar.

Ticmas em Tesol Colômbia
Ticmas em Tesol Colômbia

Como a tecnologia entra na sala de aula hoje, quando falamos de aprendizagem ubíqua e proliferação de dispositivos?

—O maior desafio é que o pedagógico e o tecnológico têm que ter um vínculo maior. As pessoas que trabalham com tecnologia não necessariamente entendem de pedagogia e vice-versa. O papel das plataformas é precisamente o papel da informação. Existe um ativo que nos permite extrair informação das interações que ocorrem com cada aluno e assim conseguir uma maior personalização. Hoje um professor que não dependesse de plataformas não conseguiria realizar uma intervenção personalizada, precisa e eficiente.

O que a formação de professores realmente precisa é nos ajudar a perder o controle. Por quê? Porque com a pandemia perdemos o controle e conquistamos agilidade. Isso é o que você precisa na educação

Com uma plataforma educacional como o Ticmas, por exemplo, um professor pode ver em tempo real o que cada aluno está fazendo. Que mudanças esse tipo de acompanhamento traz na educação?

— Acho que as mudanças estão intimamente ligadas ao fato de não aprendermos mais em um espaço fechado. Tem a ver com a pedagogia ativa. O que mais importa para nós é gerar uma interação que construa conhecimento. Não vejo um exemplo melhor do que o que as plataformas fazem eSports. Eles geram um cenário de fluxo. Ou seja: há frustração suficiente quando você está perdendo, mas motivação suficiente para não desistir. Você tem que projetar o suficiente para nos manter no jogo e seguir em frente. Isso é mais aprendizado. Há muito a trazer do mundo do entretenimento para a educação. Estou estudando profundamente o que as equipes de eSports fazem, o que, além disso, eles incluem pessoas com deficiência e fazem um equilíbrio de gênero muito melhor do que podemos fazer na sala de aula.

E a formação de professores? O que deve fazer um professor que foi formado em atendimento, que passou pela pandemia e que hoje se encontra em um ambiente híbrido?

— O que a formação de professores realmente precisa é nos ajudar a perder o controle. Por quê? Porque com a pandemia perdemos o controle e conquistamos agilidade. Isso é o que você precisa na educação. Não há melhor maneira de ganhar agilidade do que perder o controle. Temos que encontrar aquele espaço onde perdemos o controle suficiente para ousar, parar de pensar que o professor tem que saber tudo e conhecer todas as tecnologias. Se essa perda de controle for alcançada, o professor tem um papel fascinante de inspiração, acompanhamento e motivação, muito mais do que transmissão de conteúdo.

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Darcy Franklin

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