Com a promessa de esperança – A Crônica de Quindío

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Na noite de domingo, 23 de julho de 2022, ele sonhava em navegar em barcos decorados com flores e música romântica que alegravam aquela noite de verão, enquanto o gondoleiro detalhava a história de Veneza. Na segunda-feira seguinte surpreendeu Rusbel Caminante num barco colorido, chamado Moliceiros, pelos canais do rio Aveiro. Disse que com este nome se chama esta cidade moderna, limpa, organizada e bonita, chamada a Veneza de Portugal.

A Juana, essa amiga, descobriu que os edifícios modernos foram construídos com dinheiro do turismo, transformado numa linha de rendimento que proporciona elevados padrões de vida e a transforma numa das principais cidades universitárias de Portugal. Ela adivinhou que outrora os aveirenses sonhavam em transformar as águas do Oceano Atlântico na cidade em canais turísticos, onde vários pescadores transformavam os seus barcos em floridos Moliceiros. Ela concluiu com Aristóteles que “a esperança é o sonho do homem acordado”.

Admirada, ela caminhou pelas ruas do antigo bairro da Beira Mar e Juana verificou que as cores multicoloridas das fitas dançantes ao ritmo do vento e amarradas às grades das pontes que ela cruzava no passeio ao longo do rio eram lembranças de os milhares de amantes que lhes deixaram como promessa de não esquecerem um do outro ou a esperança de reencontrarem-se em Aveiro.

Promessa e esperança são palavras que unem ou desunem. Rusbel Caminante lembrou o novo presidente com suas promessas de governo. Ele acreditava que as reformas prometidas eram a esperança de milhões de colombianos sem acesso a uma vida digna. Ele se baseou no francês Gustave Le Bon, criador da psicologia das massas, para afirmar que, sendo um político de alto escalão, nosso presidente prometeu o que sabe que pode cumprir. Reconheceu a dificuldade em alcançá-los, mas vários serão a semeadura de outros e sentiu-se acompanhado pelos colombianos que anseiam com Sábato sentir-se diferente porque “Há dias em que acordo com uma esperança insana, momentos em que sinto que as possibilidades de mais uma vida a humanidade está ao nosso alcance. Hoje é um desses dias”.

“Quanto mais escura a noite, mais brilhantes as estrelas”, Rusbel Caminante não se lembrava do autor, mas achava que o tamanho da esperança forjada nos humildes e discriminados dependerá da capacidade de cumprir as promessas presidenciais. Acreditava que isso cresceria na hora das conquistas, pois, parodiando Ésquilo, expressou que não é apenas o juramento de um homem que nos faz acreditar nele, mas também o espírito do homem que o expressa. Ele acredita que o dano será irreparável tanto para o que promete quanto para o que espera. Reparou que o cheiro do mar e do sal que os habitantes de Aveiro extraem misturam-se com as casas coloridas e os mosaicos que adornam as fachadas e os pavimentos dão-lhe um ar romântico, talvez de amor à convivência. Ele concluiu com Robert Ingersoll: “A esperança é a única abelha que faz mel sem flores”.

Miranda Pearson

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