«Cobri a boca e o nariz com um pano molhado enquanto o fogo começava a correr por todo o lado»

Os moradores de Oimbra contam como vivenciaram o avanço de um incêndio que veio de Portugal “em poucos minutos”

20 de julho de 2022 . Atualizado às 18h17

Os três incêndios florestais que chegaram segunda-feira vindos de Portugal ainda estão ativos nesta quarta-feira na cidade de Ourense Oimbra. Nos núcleos de Rabal, São Cibrão S Videferre eles já calcinaram 1.500 hectares e as chamas deixaram para trás uma cena de desolação e angústia. Como as vividas por Rosa Pérez Lorenzo, que vive em Mandín, muito perto de Rabal. Na terça-feira ela estava em casa quando, pela janela, observou o incêndio ainda no terreno do país vizinho. Em poucos minutos, ela o tinha na porta. “Foi horrível; Eu estava dentro de casa e vi que o fogo estava em Portugal, em Vilariño, mas logo depois minha sobrinha chegou e ela gritou comigo que o fogo já estava em Mandín. Achei que estávamos todos em chamas”, contou a mulher nesta quarta-feira, que garante que as chamas avançaram em grande velocidade. “Eles chegaram em poucos minutos”, diz ela.

Imediatamente a Guarda Civil chegou com ordens para expulsá-los da casa, mas a mulher sofre de sérios problemas nas pernas e o marido levantou com os agentes a possibilidade de ficar na casa, cujo entorno é livre de ervas daninhas e sem floresta próxima. Eles aceitaram, depois de lhe dar instruções para não sair de casa. “Coloquei um pano molhado na boca e no nariz quando o fogo começou a correr por toda parte”, contou ela.

Alba, vizinha de Mandín, resfriando o terreno ao redor de sua casa com uma mangueira ALEJANDRO CAMBA

A casa de Rosa foi salva e todos da família dela estão bem, mas na cidade o medo continua. Alba sabe-o bem, outra vizinha desta mesma aldeia que conta a sua história enquanto rega a fazenda de sua casa com uma mangueira, totalmente calcinado, para manter o chão frio e que as chamas não reavivem. «Esta tarde tinha ido à piscina de Oimbra e um amigo ligou-me. Ela me disse para não voltar para casa e aí eu já imaginava o pior», explicou esta quarta-feira. Ela, apesar de tudo, voltou, encontrando um cenário dantesco. “Eu vi o fogo descendo a montanha e pensei que minha casa tivesse queimado, não dava para pegar a estrada”, lembra ela. Sua casa, como quase todas da região, resistiu ao fogo, mas tudo ao seu redor está completamente calcinado.


Calvin Clayton

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