A social-democracia europeia vê Espanha e Portugal como modelos de “força”

Berlim, 14 de outubro (EFE).- O Partido Socialista Europeu (PSE) abriu hoje o seu congresso olhando para a Espanha e Portugal como “modelos de força” dentro dessa família política, e com apelos de advertência para o impulso da ultradireita na Itália e outros membros do bloco comunitário.

“Pedro (Sánchez) e António (Costa): vocês estão a fazer bem as coisas”, disse Achim Poch, secretário-geral do PES, na mensagem de abertura do congresso, perante o qual tanto o presidente do Governo espanhol como o primeiro-ministro português vai intervir amanhã.

O avanço da extrema-direita deve ser “um alerta” para todas as democracias liberais europeias, contra as quais a família socialista e social-democrata europeia deve “responder com força”, continuou.

A primeira sessão plenária, esta sexta-feira, vai centrar-se na eleição do novo presidente da formação, o antigo primeiro-ministro sueco Stefan Löfven, figura proeminente da social-democracia sueca, que sucederá ao búlgaro Sergei Stanischev, que tem liderado o PSE desde 2011.

O lema do congresso é “Com coragem. Pela Europa” e os seus dois dias de sessões vão abordar os grandes desafios multilaterais do momento, desde a guerra na Ucrânia às alterações climáticas, o combate à crise energética e à inflação.

Löfven representa uma das grandes famílias da social-democracia europeia, já que foi a formação que dominou a política sueca por décadas.

A abertura do congresso coincidiu, porém, com um momento amargo para o partido, devido à apresentação, esta sexta-feira, em Estocolmo, da nova coligação governamental, que será liderada pelo conservador moderado Ulf Kristensson e que contará com o apoio externo do “Democratas da Suécia” de extrema-direita.

Na sessão de sábado, junto com Sánchez e Costa, a primeira-ministra sueca cessante, Magdalena Andersson, cujo partido defendeu a liderança nas eleições de setembro passado -com 30%-, mas foi superado pelo bloco de centro-direita.

O congresso do PSE conta com a presença de vários chefes de governo europeus. Ao lado dos espanhóis e portugueses, estiveram presentes a finlandesa Sanna Marín, bem como o chanceler alemão, Olaf Scholz.

Das instituições europeias também estarão presentes o Alto Representante para a Política Externa da União Europeia (UE), Josep Borrell, a Vice-Presidente do Parlamento Europeu, Katarina Barley, e o Vice-Presidente da Comissão Europeia (CE), Frans Timmermans .

A guerra na Ucrânia é o tema dominante do congresso e Scholz referiu-se a ela ontem, em mensagem de saudação anterior, quando alertou para a “cruzada contra o Ocidente” que, a seu ver, é liderada pelo presidente Vladimir Putin, contra o grupo de “democracias liberais” em todo o mundo.

A presença do finlandês Marin e do sueco Andersson reflecte a mudança de rumo precipitada pelo conflito nos dois países nórdicos, que romperam a linha de neutralidade militar mantida durante décadas para solicitar a sua entrada na NATO.

À margem do congresso do PSE, Sánchez e Costa terão uma reunião na Chancelaria com Scholz, para abordar a situação do abastecimento de energia na UE e o papel do gasoduto Midcat.

(c) Agência EFE

Calvin Clayton

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